Sabadinho Bom em João Pessoa

Voltar ao Centro de João Pessoa depois de um ano vivendo em Brasília, foi tipo reencontrar um amigo que, passa o tempo mas ele continua o mesmo. Agora com algumas rugas: umas de alegria, outras de descuido. Durante minhas férias, entre banhos de mar e reencontros super apressados típicos das férias, tinha um ritual que eu não queria deixar passar: um sábado na Praça Rio Branco, ou, como muitos a conhecem, a praça do Sabadinho.

Já vivi tanta coisa ali. Nos tempos de faculdade, fazendo pesquisa sobre os comportamentos e novos usos daquele espaço após uma reforma estruturante; e, mais recentemente, como frequentador de um dos projetos culturais mais queridos e duradouros da cidade: o Sabadinho Bom.

Guardo essa reforma que mencionei, que agora completa 15 anos, num lugar de carinho por ter criado um espaço tão singelo e bucólico no meio do turbilhão gerado pelo comércio, esse caos típico dos centros. As copas das árvores gigantes passaram a abraçar o espaço, antes refém dos carros e da pressa. E os pedestres, os trabalhadores que antes só atravessavam o lugar apressados, voltaram a ocupá-lo com sombra e conversa.

Nada mais justo que, com a reforma, surgisse no mesmo ano o projeto Sabadinho Bom. Um evento de resistência afetiva no coração de uma cidade que oscila entre o abandono e o reencontro com o seu centro. Começou com apresentações de chorinho e outros ritmos tradicionais, promovidas pela prefeitura da época como quem planta uma semente. Com o tempo, vieram as apresentações espontâneas, organizadas por quem queria mais: mais música, mais sábado, mais cidade. E o que era semente ganhou tanto corpo quanto as árvores da praça. Virou bosque quando, mais recentemente, a prefeitura incorporou parte dessas “dissidências populares” ao evento principal, garantindo uma estrutura que reconhece a demanda popular.

Aos poucos, formou-se um circuito de atrações que já dava pra reconhecer de longe. Velhinhos dançando abraçados os clássicos do chorinho a partir do meio-dia, como se a música fosse um elo contra o esquecimento. Logo depois, chegavam os mais jovens para a roda do Samba na Praça. E não parava por aí: o beco da Cachaçaria Philipeia (um tesouro da cidade, com dezenas de sabores de cachaças) passou a trazer também ancestralidade na música e outras intervenções. E eu ali, com minha garrafinha de axé na mão, bastava cruzar o beco para chegar à avenida General Osório, onde novos e velhos bares agora recebem outros públicos e atividades. A vida pulsa nas ruas desse circuito por pelo menos oito horas seguidas.

Ao chegar o domingo, fico me perguntando como seria esse circuito se o cuidado público tivesse continuado a mesma dança que começou em 2010. Ainda que hoje, no meio disso tudo, eu ainda seja só mais um que respira alívio sob as copas das árvores do Sabadinho, talvez pudéssemos estar vivendo (e enfrentando tudo) com mais sombras, mais calçadas, mais dignidade. Durante a semana também. E não só no sábado, ao meio-dia.

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